quarta-feira, 25 de março de 2009

Velha criança

Portugal, Porto, segunda-feira, 11:30am. As pessoas andam rápido pelas ruas com o olhar fixo ao chão, esbarram umas nas outras, ignoram os pedintes e seguem seus rumos. Em frente a um prédio antigo um senhor coloca sua bengala embaixo do braço e olha o relógio, com um grande sorriso já sem muitos dentes e um brilho nos olhos que lembra o de uma criança na noite de natal ele comemora, agora só faltam 3 min para o espetáculo. Uma música começa a tocar anunciando o meio dia, hora em que o mundo deveria parar para ficar na frente desse prédio antigo com um relógio ao centro esperando o cuco sair. As portinhas de madeira se abrem com uma certa dificuldade e de lá sai um boneco, também de madeira, que representa o padroeiro da cidade. Ele balança uma bandeira e ao seu lado dois outros bonecos, representando escritores do local, observam. O show dura menos de 2 min, mas para esse senhor já é tempo suficiente pra se perguntar porque as pessoas não param na rua pra prestar atenção nesses bonecos que ele mesmo assume já estarem um pouco antigos. As pessoas não tem mais tempo para as coisas simples, não podem sorrir para bonecos de madeira, mas também não têm aquele brilho de satisfação no olhar que aquele senhor têm pelo simples fato de ter ficado alguns minutos parado ali e aque agora segue contente para cumprir o resto de suas tarefas.

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